Um adeus a Teuda Bara.
Hoje morreu Teuda Bara, uma das fundadoras do Grupo Galpão de Teatro (MG). Vi Teuda em cena apenas uma vez, no espetáculo NÓS. Chorei em cena quando ela fazia o monólogo envolta em lama. Teuda tinha algo de titânico, de imortal. Uma mulher grande, antiga, mas ainda assim forte como o coliseu.
Vi que ela faria aniversário dia primeiro de Janeiro. Faria 85 anos. Oitenta e cinco. Coisa que para uma imortal, como ela, ainda era cedo na vida. 1 de Janeiro é também o dia do aniversário de minha mãe. É data de quem inaugura o mundo. Hoje Teuda inaugura a eternidade. Que bonito, que em algum lugar do incerto do pós vida, há um palco para receber-la. Espero que agora no infinito faça-se festa.
Teuda é nome imortal no teatro e se findar da vida no fim do ano é coisa de estrela, morrer no dia de Natal é para quem não tem medo de ser ofuscada. Jantaremos com a sua falta, Teuda. Em todo teatro do Brasil, agora, sua presença faz eco.
Tenho 29 anos e quase deixei de acreditar no teatro muitas vezes. Vê-la em cena no NÓS reacendeu em mim a crença na possibilidade da vida na arte.
Hoje, com sua partida, prometo escrever uma cena.
O teatro há de se refazer para sempre te reinventar.
